Deixar pra lá…

Sempre quando eu me pegava gostando muito de um brinquedo, ele logo dava um jeito de estragar ou de quebrar. Assim também acontecia com um passeio que eu queria muito fazer. Era só chegar o dia que chovia! Aprendi com o tempo que se eu quisesse muito, mas muito mesmo uma coisa, era melhor eu não querer. E me esforçava tanto por não querer que acabava não querendo mesmo. Nunca mais. Um tempo depois me vinha a oportunidade de ter novamente a coisa, mas já nem gostava mais dela… Eram duas tristezas sempre. Uma quando queria e não conseguia, outra quando podia ter e já não queria mais. Abrir mão era bem mais difícil do que querer ter. Então sofria dobrado. Isso me fez lembrar o dia em que passei a tarde inteirinha sofrendo ao lado do telefone e ele não tocou. Também lembrei dos meus brinquedos favoritos quebrados e deixei pra lá. Mais tarde, quando o telefone resolveu tocar, eu já havia atendido vários outros… Alguns anos depois fui ao enterro do moço que ficou de me ligar naquele dia e lá me disseram que ele morreu sentindo fortes dores no coração.

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