O meu Marley -involuntário

Ele chegou, involuntário. Não lhe foi dado o direito de querer – ir ou ficar. Sua permanência ou impermanência sempre estabelecida pelo lado de fora. Nunca dentro do peito. Mas acredito firmemente no poder de seu instinto e que algo no Universo faz conexões e conspirações secretas entre estes seres -puro amor e o homem. Pense num Planeta sem a existência dessa criatura que reivindica amor, somente amor? E comida, claro! Mas quem disse que a comida não passa pelo afeto que irremediavelmente seduz e leva ao inevitável amor. Ah!,  esse ser criado por Deus para nos ensinar a sermos mais generosos, mais resignados e amar incondicionalmente. Ele involuntariamente chegou até mim, assim penso, pois ainda havia ali uma angústia de incerteza arranhando a porta para escapar do destino que lhe impuseram. Deixei seu desalento intocado. Não hesitei em contrariar o sentimento. Havia uma tristeza que precisava ser digerida e transbordada. Teci com ele seus dias de dúvida. Ainda estou e me pergunto se é certo ele ter chegado assim, de forma tão abrupta e inesperada. Passou alguns dias na porta a espera de alguém que viesse lhe resgatar para a antiga vida. Talvez eu não tivesse o direito de possuí-lo. Eu que não possuo nem a mim mesma, não estava certo. Mas aos poucos, esse ser tão ingênuo e afetuoso foi deixando a saudade de lado e vindo meio ressabiado para o meu lado. Nos tornamos um pouco mais conhecidos. Meus dias estão mais felizes com a sua chegada e já mais resignada acredito que ele veio porque uma força maior assim quis. E contra essa força nenhum ser abaixo do céu tem poder. Deus. Ele sabe a hora, o tempo e o lugar de tudo. O perecimento e o fruto de todas as coisas que colocou a nossa disposição. Vida e morte. Chegada e partida. Visita inesperada num domingo que nos pega de pijama esparramados e desprevenidos em nossas camas. Quem convidou? De nós- humanos é preciso ainda mais um pouco de disponibilidade, de entrega genuína, de um querer e ter vontade de servir não por vaidade – essa que nos faz agir sem pensar tantas vezes. Ainda me pergunto se foi egoísmo ou altruísmo a minha oferta para a sua morada, mas indubitavelmente o acaso permitiu nossos destinos agora alinhados lado a lado e não espero que ele substitua afetos, mas que some e me deixe fazer parte de seu mundo só um pouquinho. Acho que já deixou…

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