Não resistirei

Em um mundo onde resistir é a palavra vigente eu espero que não me joguem pedras ou me lancem na fogueira das histerias por não vesti-la. Não resistirei. Primeiramente porque eu nunca gostei desses rituais coletivos. Nunca me adaptei em panelas fechadas, clubes do bolinha e luluzinhas. Não consigo imaginar um mundo repartido, dividido entre eles e nós. Meus olhos não conseguem elaborar ou digerir essa distinção. Prometi não me envolver em temas polêmicos mais, mas quando a gente se dispõe a escrever isso vira um processo quase extrafísico. Aquilo vai ficar te cutucando até você se deixar expor. E se prepare para as pancadas. Porque parece que no meio dessa bagunça de ativismos, disputas de egos, problemas pessoais mal resolvidos, ódios e rancor, tudo ficou muito exposto e à flor da pele. Eu não vou fazer parte disso e penso mesmo que cada um deve fazer o que lhe dá na telha e arque com as consequências. Se você vai resistir, que ótimo. Resista! Eu não vou entender o sentido disso e nem espero que você me entenda. É que a gente enxerga o mundo diferente e isso não quer dizer melhor ou pior. Diferente e ponto. Nenhuma ideologia inventada por Marx, nenhuma religião criada por homem nenhum, nenhum tipo de filosofia será capaz de superar a única ideologia que deveria existir e ser fielmente cumprida e seguida: a do amor. Posso parecer um pouco pessimista sobre o que vou dizer, mas acredito estarmos distantes demais dele. É que enquanto estivermos nos debatendo em discursos semeados por egos, interesses próprios e visões herméticas, mais distantes dele estaremos. Então eu não resistirei e me desculpem desistir dessa briga, dessa birra, desse ego que insiste no eu, eu, eu. É brigar contra os moinhos de vento. Eu quero somente existir e dentro do que me cabe manter a minha lucidez e seriedade sobre as questões necessárias para o crescimento do Brasil, para as questões sobre os abusos nas relações sociais, sobre a criminalidade, fugindo léguas dos ismos. Não irei romantizar tudo, nem tampouco me tornar uma pessimista com a falta de sentido como os niilistas, buscando sentido em coisas vãs. Vou existir e falar de amor. Vou falar de Deus. Vou viver em busca da felicidade como os estoicos e viver em paz com isso, fugindo de questões anarquistas. Não vou mudar o mundo assim. Vou falar de tolerância e igualdade apesar das diferenças. Essa coisa meio budista. Entender que diante da situação do Brasil vai sobrar para todo mundo, cada um vai sair um pouco mais sacrificado, mas vou confiar porque para melhorar é preciso mexer nas estruturas, acabar com as panelinhas, com os clubinhos fechados. Então resistam e façam o que quiserem! Eu existirei pensando como Descartes, nada sabendo como Sócrates, como umas pitadas de ironia, insistindo na vida como ela é, amando cada pedacinho dela. Em paz e mais resignada.

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