O meu caminho

Eu percorri um mundo inédito contrariando o tempo e me expus do avesso para que me compreendesse. Deixei sangrar a dor diante do seu espelho e em carne viva você se afastou. Percorri labirintos sem saída e me vi perdida entre vários caminhos. Escolhi sempre o que me parecia mais curto mas em todos eles vivi a ferida exposta. Não consegui fugir de mim refletida nos espelhos que surgiam distorcidos em minha frente e nessa aventura acabei encontrando mais perguntas que respostas. O Universo, este que sempre me fascinou, nada me disse além de trazer tempestades ou chuvas, mares calmos e revoltos, sol entre nuvens ou escancarados, flores voando rente ao asfalto. Me busquei dentro da Igreja, fiz trabalho voluntário, benzi na Umbanda, quis percorrer colinas, subir o Everest, atravessar pântanos, lutei com o mundo e contra o mundo, pedi perdão a Deus, ajoelhei ao pé da cruz, me recompus ouvindo todo tipo de música, desde a mais brega a mais melancólica, sambei sozinha, pulei carnavais, viajei sem dia de voltar só pra me encontrar. De tanto procurar não achei. Bebi tantos cafés, tantos cappuccinos. Do mais doces venenos aos mais fortes, experimentei paixão, morri de tesão, vivi tanta contradição. Descobri lugares inétidos logo ali na esquina. Um prédio em ruína e nem precisei de mapa para encontrar. Sentei sozinha lá dentro. Era bem ao lado do meu. Conversei com tanta gente, ouvi tantas histórias, algumas duvidosas, outras desastrosas, outras cheiinhas de amor. Foi nessa loucura de me reconstruir que achei partes minhas por todos os cantos aonde ia. Nem precisei atravessar o mundo para conhecer outras culturas pois das minhas maiores aventuras foi viajar para dentro de mim. Em meio a tudo isso eu me descobri tão forte, tão inteira, tão mais perto do que sou. E é difícil depois disso tudo ser a mesma. Enxergar da mesma maneira. Descobri que existem aves que vivem melhor em cativeiros. Eu, lá no terreiro que frequentei, me vi em outras vidas. Já fui escrava, já fui tirana, ja fui mucuma, já fui bandida, fui tantas e tantos, mas o que importa é o que sou agora. E agora sou ave que prefere voar. Agora eu quero ser o melhor de mim e nem que para isso eu tenha que recomeçar do zero, remexer nas estruturas, tudo de novo, mudar sempre. Melhor do que voltar a ser quem eu era antes de me despedaçar. Hoje eu sei nadar em direção a luz que existe dentro de mim e ela se chama Jesusinho. O único caminho que você descobre sozinho, olhando lá dentro de você.Para isso eu percorri calvários e penetrei fundo nas sombras. Faria tudinho de novo.

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