Tic tac

tic tac do tempo parou no relógio das horas. dentro. sete horas. sete dias. sete vidas. início da dormência . quando? latência insistente por entre os poros – secos. falta duma emoção, qualquer novidade, loucurar-se no meio da rua, desimportante cidade, esquinas e quinas. tic tac. saudade de aventurar-se em becos sem saída, labirintos e esconderijos. correr atrás da lua. tic e tac e o corpo rijo, rígido, inflexível. ânsia louca entalada. enlatada. pulso por gritar de surdina enquanto lamparinas acendem pavios internos. fios interligados, eletrocutados: cadê o tic tac? curto circuito forjado pra espantar o frio. necessidade de manter acesa qualquer faísca. nem que fosca. urgia sentir o coração saltitando dentro do peito feito um cavalo indomado, arredio e bravo. o estômago não saciava comida, queria vida. e tic tac. nasceu pra sentir tudo dentro queimar, garganta, esôfago, estômago, coração. labaredas e precipícios. atravessava um deserto apático, estático, entre areias dispersas, com botas apertadas, invernal. corpu nu em apelo de desejo. estava tão gelada. oca. rouca. queria estar louca. tanto. injeção de adrenalina. onde compra? quem vende? tic tac. tic tac. e as borboletas espiam acesas entre os dedos…

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