Um dia desses ela ainda pula de asa delta

Pousou ali um pássaro perdido a se esgueirar no parapeito da janela. Dentro do quarto, a cama quente, o dia arrastado, o pássaro alado bem a sua frente. Fechou os olhos e pediu para que o vento arrastasse seu corpo cansado em corda bamba a um evento fulgaz qualquer lhe demovendo daquela maldita inércia. Os desejos pediam asas sobrevoando um dia ensolarado, montanhas e brisa espanando o rosto. A garganta seca não saciava água queria deleite, regozijo, júbilo e cânticos de primavera. Fazia tempo que o inverno entrou e as flores teimavam em se esconder. Vislumbrou num fiasco de fresta uma luz minguada junto ao balanço das cortinas convidando-lhe a bailar enquanto o pássaro embalava uma canção antiga de despedida. Bem te quis, bem te quis. Percorreu a janela de sua mente deixando a garganta queimar. Lágrimas brotaram desafiando a morte. Estou viva? Até as cortinas dançam! Quando pensou em levantar o pássaro se foi deixando uma pena, apenas. Lembranças. Perdeu a coragem da vida. Perdeu a coragem da vida. Um dia desses ela ainda pula de asa delta…
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