Sobre não ter certezas

só sei que o caminho, o caminho sempre leva

para onde, não me perguntem, porque eu mesma nunca soube a resposta

carrego apenas pequenas suposições

vivo de impermanência

não consigo predefinir rotas

as bússolas me desnorteam

hoje evito os atalhos, embora alguns poucos tenham me sido úteis num momento de indecisão

quero a surpresa do caminho, o inesperado depois da curva, a sensação do frio na barriga

o destino certo me apavora

não tem a minha credibilidade

não combina com minha falta de certezas, com a minha ausência de convicções

já tive tantas…

hoje despojei das bagagens de inutilidades e vaidades, assim fluo mais leve

deixo a certeza para os chatos e convictos

talvez eles tenham a resposta que jamais saberei

prefiro seguir pra ver!

21 comentários

  1. “Caminante, son tus huellas/ el camino y nada más;/ caminante, no hay camino,/ se hace camino al andar./ Al andar se hace camino/ y al volver la vista atrás/ se ve la senda que nunca/ se ha de volver a pisar./ Caminante no hay camino/ sino estelas en la mar…”, escribió Machado, pero ha sido tan tersa y tan intensa tu camino lleno de dudas que nos impulsan a seguir. Excelente poema, Renata…

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  2. Ola Renata!
    Que texto sensacional! muitas inspirações envolvidas. adoro textos leves assim. que nos fazem sorrir por dentro e por fora. E ainda me lembrou um filosofo chamado Dostoiévski. com a celebre passagem: “O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram”.
    Abraços felizes!!

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  3. como sempre, me traz as Geraes e sua musicalidade: “eu já estou com um pé nesta estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes…amanhã…que notícias me dão de você…”. percorrer a estrada, sentir cada parte do que nos cabe nela, sem plano de chegar ou voltar, simplesmente viver cada incerteza como se fosse a primeira e a última e seguir caminho. teus textos são verdadeiras estradas, caminhos livres à vida e agradeço por ler cada um no meu caminho. um grande e carinhoso abraço desde a estrada da literatura.

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    • Ah meu querido amigo, como é bom te ver por aqui com toda a sua sensibilidade trazendo essa bela canção de nosso Milton Nascimento. Outro dia assisti ao documentário do Clube da Esquina e pude saber um pouquinho mais da história dele. Lembrei de você! A vida é isso mesmo, essa estrada inusitada e cheia de buracos mas vivida de encantamentos. Acho que tenho uma alma livre como bem disse Bukowski, A alma livre é rara, mas você as reconhece quando vê – basicamente, porque você se sente bem, muito bem, quando está perto ou com eles”. Siga o seu caminho de liberdade e de vida nova nessa estrada! Abraços desde a estrada da literatura para ti também!

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