Clandestina

Sou clandestina desde menina, malas prontas para dobrar a esquina, logo ali
Desaparecer sem rastros ou
Laços no caminho
Sou clandestina
Forasteira
Estrangeira de mim
Alma cigana presa em cascas moldadas
Modelada por dentro e por fora
Sou cachoeira presa em represa
A vela em cima da mesa que não foi Acesa
Sou ausência de Mim
Cubro-me de caixas em busca do pertencer
Coloco sorrisos que não são meus
Clandestina
Desde menina
desde o amanhecer
Malas prontas, furadas
Roupas vazadas pelo chão, nem sequer combinam com meu eu – fiapo da escuridão
amparo-me nas flores caídas
secas, murchas ao relento
a Lua longe sorri e sinto acolhimento
Sou filha do vento
raios e trovões
Furacão com espadas e flechas afiadas na mão
É lá de onde venho
Longe, tão mais perto do Coração
Daqui clandestina
Malas prontas desde menina
Louca, doida para virar a esquina
E sumir de surdina
Na calada da noite
Ter com as estrelas
leve e inteira
Livre da mala que carrego desde menina
Estrangeira
Clandestina
Guerreira
Filha de Iansã

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