Clarice não respondeu…

Coloco um disco na vitrola enquanto a água borbulha no fogão. Hilda Hilst há pouco me mandou mensagem do lado de lá perguntando como anda a vida por aqui. Anda assim querida Hilda: tem chá pra passar o tempo, infusão de Camomila com Cidreira. Tem livros empilhados esperando para serem engolidos. Tem roupa pra lavar. Tem conta pra pagar. Mas por hora estamos deixando tudo como está, já que nada mais é tão importante que não possa esperar. Imagino Caio Fernando, embaixo da mágica Figueira na Casa do Sol, fazendo pacto de amor com a terra e Hilda dando voltas no jardim com seus mil cachorros conspirando sobre o Além. Imagino ela com seu rádio telepático pedindo pra Clarice nos contar -ei como é aí do outro lado? Imagino que baita solidão ela carregava. Imagino o preço de se ter na alma a obrigação da escrita. Enquanto isso a água evapora e quase toco fogo na casa. Por ora, fui salva! Melhor lavar as roupas sujas já que Clarice nunca nos respondeu… .
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Depois que essa quarentena passar quem sabe dou um pulo lá naquela casa… ah! seria um sonho.

Desculpem o meu sumiço, mas às vezes bate um desânimo, uma vontade danada de desistir de escrever, mas aí passa, eu volto… já que sou uma amadora mesmo. Então que seja! Saudade de vocês!

11 comentários

  1. A vida sempre emite seus sinais quando ela mesmo precisa e nós mais ainda. Chegas assim, anunciando silêncios que adormeceram e palavras que se juntam em uma única direção: a vida que nos espera (quem sabe naquela casa). Feliz demais com esse encontro feito de esperança e sonhos. Um abraço imenso, meu afeto e um café e mais um pouco de chá e um pedido: não desapareça mais.

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    • Suas palavras sempre tão motivadoras meu amigo. Estes silêncios às vezes me devoram por dentro, então me lembro que só as palavras têm essa capacidade de nos salvar de nós mesmos. Que grata presença e a casa é um de meus sonhos. Quem sabe me leve lá e nos leve sempre aos nossos sonhos mais impossíveis. Desculpe o sumiço, prometo voltar sempre com um golinho de chá ou de café. Abraço afetuoso e se cuide nesta quarentena que espero seja breve.

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  2. Já lhe dei as boas vindas… noutro post… Ainda bem! Ou foi num questionamento que fiz sobre seu sumiço… Recentemente eu escrevi para o Geraldo Cunha do Blog Divagações que precisávamos nos encontrar para nos conhecermos pessoalmente. Ele disse que muitos de nós estavam dispersando… Lembrei-me de você e do Daniel Bunker que sei moram em BH. Que passe esta quarentena para logo nos encontramos… Por enquanto alimentemo-nos com versos e rimas… Depois que venham o chá e o café…

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    • É verdade, tenho me dispersado, não somente daqui, mas do cenário como um todo. Às vezes penso que para dar corpo a algo precisamos conceder certos sacrifícios. Escrever requer sacrifícios. Requer estudar muito, dedicação. E a urgência pelas contas, pela vida em si não me permite ainda a entrega necessária. Como queria, mas ao mesmo tempo reflito sobre os sacrifícios. Então como no texto, quem sabe um dia eu possa me dedicar com esmero, reclusa, não sei. O cenário agora tb não está dos melhores. O que nos resta é sonhar. Com um encontro pós quarentena, com um livro, com rimas e versos e café e chá. Obrigada pela presença de sempre!

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      • Com licença… Tudo que dissestes é verídico e factível… Eu me sacrifico para escrever e, mas, o faço por terapia (por enquanto)… Não que a terapia irá acabar, parece que não, mas, se puder me profissionalizar eu gostaria de fazê-lo… No momento (quando está normal) o sacrifício está em: lecionar pela manhã em BH (escola particular), à tarde em Betim (escola pública), fazer compras, levar filhos ao médico, cozinhar quando estou em casa, preparar as aulas, corrigir as atividades/provas… já cansei… rsrsrsrss. Depois disso tudo escrever e me dedicar ao casamento…
        Na quarentena: o papo é outro… além das aulas on-line, as atividades de casa com duas crianças num ap, acumula tudo…
        Mas, escrever é um alívio… inclusive, este comentário… Paz e Bem!

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      • Caramba! Cansei só de ler… hehehe Definitivamente não sei como consegue. É muito amor pelo que faz e pela escrita mesmo. Então que seja assim, usando a escrita para nos salvar, como terapia que seja, sem ânsia ou anseios… Ainda que o sentimento de estar fazendo quase tudo pela metade teime em nos visitar. Palavras soltas ao acaso do tempo sem rotas, ponto. Que assim seja, amém. Paz e bem, cuidados nesta quarentena onde tudo parece ter meio que saído do controle. Espero que isso volte à normalidade ou ao menos ao que consideram normal. Paz e bem!

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  3. Oi Renata, Como esta? realmente tem o desanimo bate e mesmo com tempo e inspirações a gente as vezes perde a vontade de escrever mas não deixa ele apagar a sua chama de escritora não ainda temos muito para ler e produzir. Gosto muito de sua literatura. Quero mais tá! adorei as analogias do texto. Vamos produzir. Saudades de tu, Boa sorte!!

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    • Ei Ed, bom te ver por aqui. Pois eh meu amigo, acho que esse desânimo deve ser próprio dos escritores não? Porque temos processos extremamente criativos e outros que são verdadeiros hiatus sem fim. Então prometo que farei assim, sumo, mas apareço. Sempre! Obrigada pelo incentivo… também gosto bastante do seu processo criativo e espontaneidade na escrita. Sigamos oscilando, mas sigamos!

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      • Muito obrigado querida amiga, acho que é natural dos escritores dois problemas. 1. Se assumir como tal (escritor) 2. Que não é pq a gente escreve que vamos virar uma máquina de escrever kkk. As vezes a gente tem até ideias na cabeça mas tbm temos os nossos filtros. Abraços Renata. Até breve!!

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